A Paixão pela Música desde a Infância
Eugênio Valentim Balan, um comerciante de 73 anos, sempre teve uma profunda conexão com a música desde os seus primeiros anos de vida. Criado em um ambiente onde os irmãos mais velhos costumavam trazer álbuns e compactos para casa, sua paixão pela música começou a se desenvolver ao ouvir essas novidades. Aos oito anos, ele adquiriu seu primeiro disco, uma música rock intitulada “Rock do Mendigo”, do artista Márcio Franco. Essa experiência inicial o lançou em uma jornada que o levaria a se tornar um colecionador ávido de discos de vinil.
A História de Eugênio Balan
No início da década de 1970, Eugênio se tornou gerente de uma loja de discos em Araçatuba, São Paulo. Nesse ambiente, ele teve a oportunidade de explorar e expandir seus gostos musicais, adquirindo uma rica coleção que hoje chega a cerca de 9 mil discos. Seu entusiasmo e dedicação ao formato vinil nunca diminuíram, mesmo com o advento de novas tecnologias e mídias, como CDs e streaming. Para ele, os discos de vinil representam uma experiência especial que vai além da simples audição.
Colecionando Música: O Acervo de Vinil
O acervo de Eugênio é considerado uma verdadeira cápsula do tempo. Com itens raros, como um disco de Egberto Gismonti lançado em 1971 e uma gravação de 78 rotações de João Gilberto, ele não apenas possui um grande volume de músicas, mas também uma coleção cheia de significado. O comerciante também se dedica ao comércio de discos, atuando na compra, venda e troca de vinis, fazendo com que outros se conectem com a riqueza da música em formato físico.

Os Rituais de Ouvir Discos
Ouvir um disco de vinil para Eugênio não se resume a apenas reproduzir música; é um ritual. Esse processo envolve retirar o disco da capa, colocá-lo no toca-discos e posicionar a agulha com cuidado. Cada lado do disco oferece uma nova experiência, que se completa no momento em que ele precisa virar o álbum ou escolher outro. Esse tipo de interação é o que mantém vivos os laços entre amantes da música e seus discos.
Raridades no Acervo de Eugênio
Embora Eugênio tenha uma coleção impressionante, há certas raridades que ele ainda busca. Entre elas está a gravação de “Rapaz de Bem”, de Johnny Alf, de 1955, em 78 rotações. Essa busca não é meramente por um objeto; representa sua devoção pela história musical e pela Bossa Nova. Ele acredita que cada disco tem sua própria narrativa e significado, proporcionando um valor que vai além do preço de mercado.
O Crescimento do Interesse por Vinis
Nos últimos anos, Eugênio notou um aumento significativo na procura por discos de vinil. O público não é composto apenas por colecionadores veteranos, mas também por jovens que estão curiosos e desejam explorar os clássicos da música. Essa nova geração aproxima-se de sua loja mostrando um entusiasmo renovado em colecionar discos, o que traz um sorriso ao rosto de Eugênio.
Discos de Vinil vs. Tecnologia Moderna
Ainda que tecnologias modernas como CDs e streaming tenham conquistado seu espaço, Eugênio nunca abandonou os vinis. Ele considera o vinil uma forma autêntica de armazenamento musical. Para ele, a contracapa, o encarte informativo e o próprio formato físico são partes importantes da experiência. Mesmo convivendo com diferentes tecnologias, ele acredita que é possível apreciar tudo coexistindo pacificamente.
A Experiência Única do Vinil
Diferente da reprodução digital, ouvir um disco de vinil é um ato que exige atenção e ritualística. Desde o manuseio cuidadoso do disco até o momento de ouvir a música, Eugênio destaca que essa experiência é uma jornada multifacetada. Essa conexão tátil e emocional é o que torna o vinil especial e é um fator que atrai tanto colecionadores antigos quanto novos ouvintes.
O Encontro de Gerações Pela Música
Para Eugênio, o vinil é um elo entre as gerações. Ele testemunha o interesse crescente de jovens por discos clássicos, criando um espaço onde diferentes idades se reúnem em torno de uma paixão comum. A música, através do vinil, se torna uma ponte que liga experiências e histórias. Eugênio sente-se recompensado ao ver novos colecionadores descobrindo as maravilhas dos discos e celebrando a história da música.
A Busca pelas Raridades de Johnny Alf
A incessante busca de Eugênio pela gravação de Johnny Alf é um reflexo de sua dedicação à música. Para ele, essa gravação não é apenas uma peça de coleção, mas uma parte significativa do legado da Bossa Nova. Ele se recusa a desistir de encontrar esse disco por causa do valor emocional que representa. É uma busca que sintetiza sua ligação com a música e o significado que cada disco traz à sua vida.


